No ambiente corporativo atual, a saúde mental deixou de ser um tema secundário e passou a ocupar um lugar central nas estratégias empresariais. Ainda assim, muitos CEOs e empresários seguem com dúvidas sobre quanto investir e de que maneira aplicar os recursos disponíveis, especialmente em um país onde a cultura do cuidado emocional ainda está em desenvolvimento. 

Durante muito tempo, as empresas brasileiras direcionaram seus investimentos principalmente para infraestrutura, tecnologia e aumento da produtividade. A saúde mental, por sua vez, era vista como uma responsabilidade individual, restrita ao colaborador ou ao sistema público de saúde. No entanto, a pandemia de Covid-19 e o crescimento expressivo dos casos de burnout, ansiedade, depressão e outros transtornos emocionais provocaram uma mudança significativa nesse olhar.

O que está motivando as organizações a investirem em saúde mental?

Percepção do impacto no desempenho

Empresas como Alphabet, Deloitte, Google e tantas outras já compreenderam que colaboradores emocionalmente equilibrados tendem a ser mais produtivos, criativos e engajados. Nessas organizações, investir em saúde mental é uma estratégia para reduzir o absenteísmo, a rotatividade e os custos com saúde. A decisão costuma partir de análises de custo-benefício, que demonstram ganhos claros em produtividade, clima organizacional, engajamento e qualidade nas relações corporativas. Além disso, cresce a valorização do employer branding, especialmente entre talentos que priorizam ambientes emocionalmente saudáveis. 

Pressões regulatórias e exigências legais

A legislação brasileira sobre saúde e segurança do trabalho passa por mudanças aceleradas. Normas como a NR-1, que exigem a criação de programas de prevenção de riscos ambientais e psíquicos, vêm reforçando a ideia de que cuidar da saúde mental não é apenas uma boa prática. Cada vez mais, torna-se também uma obrigação legal. 

Prevenção como estratégia, não apenas resposta à crise 

Ainda é comum que empresas só percebam a urgência do investimento em saúde mental após enfrentarem crises ou afastamentos. Mudar essa lógica exige uma cultura preventiva, em que o valor investido deixe de ser visto como despesa e passe a ser reconhecido como parte da estratégia de sustentabilidade e crescimento. 

Como as empresas decidem investir em saúde mental

Hoje, o processo de decisão sobre esse tipo de investimento ainda é diverso e fragmentado. Algumas organizações sequer consideram o tema, por desconhecimento ou por não o relacionarem ao sucesso do negócio. Outras adotam ações pontuais por pressão externa, com foco na imagem institucional diante de clientes e parceiros. Há também aquelas que já entendem a relevância da saúde emocional, mas limitam seus esforços a resultados mensuráveis, como a redução de faltas e o aumento da produtividade, sem considerar os efeitos mais profundos e intangíveis. 

Por fim, existem empresas com lideranças que passaram por processos de autoconhecimento, terapia ou desenvolvimento pessoal. Nesses casos, a saúde mental é vista como um pilar essencial para a inovação, a performance e o sucesso a longo prazo. A criação de um ambiente com segurança psicológica passa a ser uma prioridade contínua e estratégica.

Quanto investir em saúde mental?

Ainda que o valor preciso seja calibrado conforme o tamanho, setor e cultura da organização, estudos apontam que investir cerca de 1% a 3% da folha de pagamento na implementação de programas de bem-estar emocional já demonstra retorno em aumento de produtividade e redução de custos.

Por exemplo: uma pequena e média empresa com uma folha salarial de R$ 2 milhões por ano pode reservar aproximadamente de R$ 20 mil a R$ 60 mil anuais para ações como treinamentos, workshops, canais de apoio psicológico e avaliações sistemáticas. Já uma grande corporação, com milhares de colaboradores, deve atuar com programas estruturados e abrangentes, considerando investimentos de alta relevância para o negócio.

Como investir de maneira eficiente em Saúde Mental??

Diagnóstico do cenário interno
Entender as necessidades específicas da equipe por meio de pesquisas, avaliações e conversas abertas é fundamental. Assim, o investimento não é aleatório, mas direcionado às demandas reais.

Implementação de uma cultura de bem-estar
Promover uma cultura que valorize a transparência, a escuta ativa e a redução do estigma relacionado à saúde mental. Essa mudança de cultura reforça a efetividade de qualquer ação.

Utilização de metodologias integradas
Programas que combinam ações de psicoeducação, suporte psicológico, treinamentos em inteligência emocional e gestão de conflitos têm maior impacto.

Monitoramento e mensuração de resultados
Avalia continuamente o impacto do programa na rotatividade, absenteísmo, clima organizacional e satisfação dos colaboradores.

Alinhamento com a estratégia de negócios
Como qualquer investimento corporativo, o cuidado com saúde mental deve estar alinhado às metas estruturais da empresa, de modo que sua efetividade seja percebida como parte do crescimento sustentável do negócio.

A tomada de decisão para investir em saúde mental no Brasil ainda está em fase de amadurecimento, mas a transição já acontece: as empresas que enxergam esse cuidado como uma estratégia de crescimento, produtividade e inovação estão na frente. Afinal, investir na saúde emocional dos colaboradores não é uma despesa, é um dos investimentos mais inteligentes e necessários do século XXI para construir organizações mais humanas, resilientes e qualificadas para o futuro.


Artigo escrito por Daniel NovaisDiretor de Negócios e Administrador da Norte Saúde Mental. Profissional especializado em desenvolvimento e gestão de negócios. Graduado em Administração pela PUC-Rio, com MBA em Gestão, Inovação e Empreendedorismo. Empreende há 17 anos, acumulando experiência em diversos segmentos, como alimentação e bebidas, hospedagem, eventos, saúde corporativa e consultoria empresarial. Atuou por quase uma década no meio corporativo, onde obteve uma rica experiência em uma das três maiores empresas do mercado de distribuição de combustíveis e varejo e se destacou ao ocupar “cargos-chave” e liderar equipes de planejamento estratégico e comercial. Dessa longa experiência surgiu um novo propósito: criar ambientes de trabalho que inspirem as pessoas a se desenvolverem em sua máxima potência, não apenas como profissionais, mas, acima de tudo, como seres humanos.

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