{"id":1,"date":"2025-04-23T17:09:37","date_gmt":"2025-04-23T17:09:37","guid":{"rendered":"https:\/\/diretiva.tec.br\/nortesaudemental\/?p=1"},"modified":"2025-07-19T21:07:54","modified_gmt":"2025-07-20T00:07:54","slug":"hello-world","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diretiva.tec.br\/nortesaudemental\/hello-world\/","title":{"rendered":"Entenda como a vergonha e o medo de julgamento empurram os adolescentes para um di\u00e1logo emocional com a IA"},"content":{"rendered":"<p><em>_Psic\u00f3loga explica o que est\u00e1 por tr\u00e1s do crescimento do uso da tecnologia com a finalidade terap\u00eautica e como a sociedade pode ajudar a transformar essa realidade_&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p><p>O uso de ferramentas de intelig\u00eancia artificial vem crescendo no mundo todo. Um levantamento feito pela Pew Research nos Estados Unidos, citado pelo pr\u00f3prio ChatGPT, revelou que a ades\u00e3o \u00e0 ferramenta entre jovens adultos de 18 a 29 anos, grupo que representa a Gera\u00e7\u00e3o Z, subiu de 33% em 2023 para 43% em 2024. Embora o uso em atividades profissionais, educacionais e de entretenimento tenha crescido, o que mais tem despertado a aten\u00e7\u00e3o de especialistas \u00e9 a maneira como esses jovens est\u00e3o recorrendo \u00e0 IA para obter apoio emocional e conselhos pessoais.&nbsp;<\/p><p>De acordo com Bruna Madureira, psic\u00f3loga cl\u00ednica da Norte Sa\u00fade Mental, que tem PhD em Psicologia pela PUC-Rio, o crescimento \u00e9 preocupante e revela muito sobre o cen\u00e1rio emocional e relacional em que os jovens est\u00e3o inseridos. \u201cQuando um adolescente percebe que s\u00f3 restou conversar com uma m\u00e1quina do que com algu\u00e9m da sua conviv\u00eancia, precisamos perguntar o que est\u00e1 falhando nas rela\u00e7\u00f5es humanas. Isso n\u00e3o diz apenas sobre eles, mas sobre todos n\u00f3s, sobre a forma como estamos escutando eles ou n\u00e3o\u201d, alerta.&nbsp;<\/p><p>Bruna lembra que em uma cultura onde n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para sentir e qualquer emo\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 vista como exagero, o pr\u00f3prio ato de sentir se torna um problema. Sentir n\u00e3o combina com a l\u00f3gica da performance: atrapalha, exige tempo, pausa, e pausa hoje \u00e9 quase um pecado dentro de um modelo produtivo que valoriza apenas a acelera\u00e7\u00e3o. \u201cEmo\u00e7\u00f5es que n\u00e3o estejam a servi\u00e7o do desempenho s\u00e3o descartadas ou reprimidas. S\u00f3 \u00e9 permitido sentir se for para performar melhor; fora disso, o sentir \u00e9 visto como fraqueza, desvio ou obst\u00e1culo.\u201d<\/p><p>Essa nega\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade vem se refletindo em novos comportamentos entre os jovens, especialmente nas redes sociais. Ganha for\u00e7a, por exemplo, a pr\u00e1tica dos chamados \u201cdi\u00e1rios de terapia\u201d com intelig\u00eancia artificial, em que adolescentes utilizam comandos estruturados para buscar conforto emocional ou respostas acolhedoras. Para a psic\u00f3loga Bruna, essa busca por consolo artificial revela uma car\u00eancia profunda de ambientes seguros e emp\u00e1ticos dentro de casa, nas escolas e, principalmente, na sociedade como um todo. \u201cA vergonha e o medo do julgamento afastam os jovens do di\u00e1logo verdadeiro. Eles aprendem desde cedo que sentir, errar ou ter d\u00favidas pode ser punido com cr\u00edticas, isolamento ou rejei\u00e7\u00e3o. Por isso, acabam procurando um lugar onde possam se expressar sem o peso do olhar do outro. E a IA, sem rosto, sem julgamento e sempre dispon\u00edvel, ocupa esse espa\u00e7o\u201d, explica.<\/p><p>Ela refor\u00e7a que o problema n\u00e3o deve ser compreendido como uma falha das fam\u00edlias, mas como reflexo de um modelo social mais amplo, que exige desempenho constante em todas as \u00e1reas da vida e nega a vulnerabilidade. \u201cO que vemos hoje \u00e9 uma resposta direta \u00e0 cultura da performance. As fam\u00edlias est\u00e3o tentando sobreviver em meio ao excesso de demandas no trabalho, ao custo de vida cada vez mais alto por conta da infla\u00e7\u00e3o, e a um ideal de envelhecimento que \u00e9 negado pela press\u00e3o est\u00e9tica. Soma-se a isso a cobran\u00e7a, especialmente sobre as mulheres, para que sejam excelentes m\u00e3es, filhas, profissionais, donas de casa e tudo ao mesmo tempo. Essa sobrecarga exaure o ser humano e deixa pouco ou nenhum espa\u00e7o para o cultivo de v\u00ednculos afetivos com os filhos.\u201d Ela destaca que n\u00e3o se trata, portanto, de um colapso do sistema familiar, mas de uma sociedade que imp\u00f5e exig\u00eancias desumanas e n\u00e3o oferece suporte. \u201cFalta tempo, falta educa\u00e7\u00e3o emocional, falta consci\u00eancia sobre a import\u00e2ncia de sintonizar com as necessidades afetivas das crian\u00e7as e adolescentes.\u201d&nbsp;<\/p><p>A pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o dos filhos, segundo a especialista, tamb\u00e9m foi engolida pela l\u00f3gica perform\u00e1tica: escolas caras, cursos de l\u00ednguas, clubes, viagens, tudo para atender a um ideal de sucesso, muitas vezes sem nenhuma conex\u00e3o humana real. \u201c\u00c9 uma educa\u00e7\u00e3o baseada em curr\u00edculo, n\u00e3o em v\u00ednculo.\u201d A psic\u00f3loga lembra que a fam\u00edlia est\u00e1 imersa nessa mesma cultura de performance e, frequentemente, faz o que pode dentro do poss\u00edvel, mesmo que isso custe a conex\u00e3o emocional com os filhos. \u201cQuando n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para errar, para ser acolhido na dor, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para ser humano\u201d, afirma. O crescente uso da intelig\u00eancia artificial como substituto do afeto e da escuta humana, especialmente entre adolescentes, \u00e9 um sinal de alerta. Para mudar esse cen\u00e1rio, ela defende que \u00e9 urgente repensar a forma como nos relacionamos com as emo\u00e7\u00f5es e com os jovens. \u201cSe queremos que os adolescentes conversem mais com pessoas e menos com m\u00e1quinas, precisamos oferecer escuta genu\u00edna, presen\u00e7a real e ambientes onde seja poss\u00edvel existir sem medo. S\u00f3 assim eles voltar\u00e3o a confiar no di\u00e1logo humano.\u201d<\/p><p>Para reverter esse cen\u00e1rio, Bruna Madureira defende a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de escuta qualificada dentro das escolas, em centros culturais e at\u00e9 mesmo nas redes sociais. \u201cGrupos de acolhimento emocional, rodas de conversa e a presen\u00e7a de profissionais preparados para dialogar com os jovens fora dos consult\u00f3rios tradicionais podem fazer uma diferen\u00e7a enorme. O importante \u00e9 que eles se sintam vistos, escutados e respeitados em suas singularidades, sem precisar vestir uma armadura para serem aceitos\u201d, sugere.&nbsp;<\/p><p>Dentro de casa, pequenas atitudes tamb\u00e9m t\u00eam grande impacto. Reservar momentos di\u00e1rios de conex\u00e3o real, sem distra\u00e7\u00f5es digitais, validar sentimentos ao inv\u00e9s de minimiz\u00e1-los, e cultivar o h\u00e1bito da conversa espont\u00e2nea s\u00e3o caminhos poss\u00edveis. \u201cA escuta n\u00e3o precisa ser perfeita, mas precisa ser verdadeira. Quando pais e cuidadores se mostram emocionalmente dispon\u00edveis, mesmo que n\u00e3o tenham todas as respostas, j\u00e1 criam um ambiente onde os adolescentes podem existir com mais seguran\u00e7a. E isso, por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 um ponto de partida poderoso\u201d, conclui a psic\u00f3loga.&nbsp;<\/p><p><strong>Sobre <\/strong><strong>Bruna Madureira<\/strong> &#8211; <em>Facilitadora e Palestrante, Psic\u00f3loga Cl\u00ednica e Organizacional<\/em> &#8211; Psic\u00f3loga cl\u00ednica com PhD em Psicologia e mais de 15 anos de experi\u00eancia em \u00e1reas como a For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira, o N\u00facleo de Doen\u00e7as da Beleza da PUC-Rio e Recursos Humanos, al\u00e9m de especialista em trauma. Sua abordagem integra Teoria Sist\u00eamica, Gestalt-Terapia, Somatic Experiencing e Mindfulness, promovendo autoconhecimento, regula\u00e7\u00e3o emocional e constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es baseadas em seguran\u00e7a e pertencimento. \u00c9 supervisora cl\u00ednica, palestrante e facilitadora de grupos terap\u00eauticos, com foco no desenvolvimento humano e na transforma\u00e7\u00e3o pessoal. Acredita no poder das conex\u00f5es genu\u00ednas para fortalecer indiv\u00edduos e comunidades, criando espa\u00e7os onde cada hist\u00f3ria encontra acolhimento e respeito.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>_Psic\u00f3loga explica o que est\u00e1 por tr\u00e1s do crescimento do uso da tecnologia com a finalidade terap\u00eautica e como a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1086,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diretiva.tec.br\/nortesaudemental\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diretiva.tec.br\/nortesaudemental\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diretiva.tec.br\/nortesaudemental\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diretiva.tec.br\/nortesaudemental\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diretiva.tec.br\/nortesaudemental\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diretiva.tec.br\/nortesaudemental\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1088,"href":"https:\/\/diretiva.tec.br\/nortesaudemental\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1\/revisions\/1088"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diretiva.tec.br\/nortesaudemental\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1086"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diretiva.tec.br\/nortesaudemental\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diretiva.tec.br\/nortesaudemental\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diretiva.tec.br\/nortesaudemental\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}